A separação do Ego e do Eu quântico

Updated: May 25, 2019

Para ter acesso a inúmeras possibilidades é preciso pensar de forma não-local e descontínua.

A física Quântica nos traz algumas possibilidades de interpretação para questões que já são tratadas há muito tempo pelas tradições espirituais. Quanticamente a realidade é feita de possibilidades. Cada ação, cada pensamento e sentimento que temos é escolhido por nós. Mas será que o simples facto de escolhermos já nos torna livres? Um ponto importante a considerar é: Qual o tamanho do nosso universo de escolhas, ou seja, quantas opções conhecemos para escolher? Podemos nos achar livres se pensarmos que podemos escolher entre todas as opções que conhecemos. Mas o facto é que se existem opções que não conhecemos, logo, não podemos escolher o que ainda não sabemos.

Porém, perceber isso nos faz entender que não somos livres, que escolhemos de entre um pequeno leque condicionado de opções. Condicionado pelo nosso “eu-local” (conceito que merece todo um artigo). Esse por sua vez tão importante para nossas realizações. É o aspecto que colocará todo o insight criativo em ação. Contudo, pela sua natureza ilusória, egocêntrica, não deveria ser o aspecto dominante do nosso Ser, mas sim, estar ao serviço do nosso verdadeiro Ser, do Eu quântico.

A partir da interpretação Idealista Monista Quântica, concebemos um modelo no qual o ser humano é constituído de 4 corpos: o corpo físico + 3 corpos sutis (o corpo Vital, o corpo Mental e o corpo supramental. Quando uma possibilidade se torna um evento real, dizemos que houve o colapso da onda de possibilidade em um evento real, que experimentamos. Esse colapso ocorre simultaneamente em todos os corpos. No supramental é atribuído o contexto da experiência e nos demais corpos é dado o seu significado. Podemos dizer em relação à realidade manifestada, que no corpo físico nós experimentamos a manifestação daquilo que sentimos, no corpo vital nós sentimos a manifestação, no corpo mental nós pensamos a manifestação, e no corpo supramental nós intuímos a manifestação. Dessa forma, quando experimentamos mais que uma vez determinada situação, o contexto desta já está determinado. Desse modo o acesso que fazemos para identificá-la como realidade se dá apenas no nível vital e mental.

Quem faz a mediação entre os níveis físico, vital e mental é essa realidade indeterminada a que chamamos “ego”. Esse, por sua vez, condiciona e é condicionando por padrões mentais no cérebro físico. Com esses padrões instituídos, passamos a nos relacionar com a realidade a partir deles. E a fazer escolhas a partir deles. E não mais temos acesso a inúmeras possibilidades contidas no supramental.

O acesso ao supramental por sua vez, se dá através de um processo descontínuo e não-local. Isso acontece, por exemplo, quando temos uma ideia realmente diferente, quando pensamos algo do tipo, Ahaa!! Nesse momento, não temos a sensação de estarmos fazendo escolhas dentro de um padrão condicionado de isso ou aquilo, mas temos o sentimento de estar experimentando algo realmente novo.

Este tipo de vivência não acontece decorrente de um encadeamento lógico de pensamentos; ele é descontínuo, rompe o padrão. Encontramos uma analogia com este exemplo no famoso salto quântico. Os elétrons ao redor do núcleo de um átomo, quando mudam de uma órbita para a outra, não passam pelo tempo-espaço entre elas, mas sim desaparecem de uma órbita e aparecem na outra, assumindo assim um comportamento descontínuo.

Da mesma maneira que dois elétrons continuam “ligados” quando surgem a partir do mesmo emaranhado quântico, tudo que acontece com um é sentido instantaneamente pelo outro. Dizemos que têm uma comunicação não local. Uma ideia criativa tem um comportamento não local, pois não acessa os circuitos condicionados do cérebro (local), e sim a consciência não-local do supramental.



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Instituto Migliori | Da Física à Consciência

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